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atirando os marinheiros ao mar
junto com seus velhos corações imprestáveis
os vermes, comendo suas lembranças
atirando seus corpos ao desconhecido
descontrolados, procurando asilo pra alma
atirando os marinheiros ao mar
descendo como âncoras enferrujadas
não senti dor, não senti piedade
atirando os marinheiros ao mar
pra ver a espuma se formar ao seu redor
pra ver o coração chegar ao fundo
atirando os marinheiros ao mar
pra ver a rebentação bebendo seus corpos
os corais, arranhando suas gargantas
atirando os marinheiros ao mar
apagando com veneno a tatuagem
que cobria a pele desfigurada
trazendo tudo para o nada
atirando os marinheiros ao mar
nao deixe a ignorância tomar conta
e posse de teus segredos
trajando suas roupas de banho remendadas de ódio
atirem os marinheiros ao mar
a podridão libertará seus ossos
atirem os marinheiros ao mar
e tirem as crianças da sala
eles se perderam no mar
não os incomodem mais
eles roubaram as estrelas
todas que habitavam o mar
atirem os marinheiros ao mar...
pois as águas que bebi
nunca mais serão límpidas
como o coração das crianças
atirem os marinheiros ao mar
eles irão se perder no vazio
mas por favor, não me deixem sozinho
tudo me come vivo
fiquem quietos
e não ouçam os gemidos
Pequena.
criado por pequena
12:00:50