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Você abriu minha janela
agora repousa bem macio dentro de mim
quando acordo meu pensamento é você
as janelas da alma se abriram para o mundo
perfazendo em voltas, rápidas em segundos
você já morava em mim...
agora, a morada não tem fim
Você abriu minha janela
abriu todas as portas
retirou as tramelas
você abriu minha janela
as paredes caíram de tanto sentir
coisas que o coração já não
consegue omitir
Você abriu minha janela
o chão se abriu consumindo tudo
aquilo que o coração não sentiu
o coração, nascendo de novo
agradeço por existir as janelas
a alma precisa de saber não mais de tristeza
a alma estava precisando de uma certeza
Você abriu minhas janela
e não vai mais sair
ela continuará aberta
e você tem as chaves
para entrar e sair
quando tiver vontade
Pequena.
Comendo,
objetos
assuntos
idéias
como a
areia,
o deserto
Comendo,
a fome
não é
o concreto,
a fome e
tudo
que
alimenta o
homem
Comendo,
no estômago
do pensamento
digestão
do assunto
exposto
sobre a
mesa
e consumido
no momento
Comendo,
cada qual no
seu mundo
particular
digere, rumina
cada ponto
até chegar
ao encontro
Comendo,
consumindo
pensamentos alheios
e intevindo no meio,
a comunicação é
inevitável
cada um no seu estágio,
alguns demais outros de menos
cada um sabe o que
come seu pensamento
Comendo,
cada um,
antropofagia
de suas insanidades
das suas mentiras
e das suas verdades
pequena.

que a paz esteja convosco
e seu caminho seja de luz
desejo que parte do teu passado
seja apagado
desejo que parte do teu futuro
não seja duro
desejo dias felizes
sem armas na mão, mas com cicatrizes
que a paz esteja convosco
que a paz esteja comigo
que meu coração sossegue
eu à você, entregue
que a paz esteja conosco
pra seguir o caminho que o Mestre
separou, ainda não entendo o motivo
mas espero entender depois
desejo que você volte
que não desejes por fim, a morte
que desejes dias de paz,
você com tua cria, você o pai
que a paz esteja com vocês dois
que o coração não esteja partido
e a vida sem sentido
que a paz esteja convosco
que a paz absorva tua vida
que a paz more no teu corpo
Pequena

sigo até a borda da Terra
mas eu vou parar
parar por nada
sigo até a borda da Terra
algo me sustenta
então eu paro de chorar
talvez seja a força da gravidade
sigo até a borda da Terra
mas algo me detém
meus passos tortos
que nem roda gigante
sigo até a borda da Terra
a energia consome meu sangue
o sangue consome meu oxigênio
fico sem ar
sigo até a borda da Terra
te procuro
em algum lugar nos encontraremos
em algum lugar
sigo até a borda da Terra
estou me balançando na borda
e o sono mais uma vez chega sem aviso
talvez seja ele um grande perigo
sigo até a borda da Terra
você se fecha e não me deixa entrar
você se arma
mas eu não posso lutar
sigo até a borda da Terra
e tudo isso é inútil
então, subo ao topo
do meus cinco sentidos
me deixe entrar
quero um caminho plano
sigo até a borda da Terra
quero um vale de histórias remotas
escrito por linha retas ou mesmo tortas
sigo até a borda da Terra
e salto
Por favor, mova-se rápido
segure minha mão
e vamos planar
sobre o verde que escorre
e o azul que molha nossos
corpos cansados de amar
Pequena.

Tentando escapar do medo que me consumia
tentando escapar de tudo
sair ileso
Tentando escapar
sem achar saída
ser pego de surpresa
pelos tristes destinos, a vida
Tentando escapar
fugir dos pesadelos
mas não há saída
é preciso correr riscos
mesmo que isso leve ao
precipício e custe no fim a vida
Tentando escapar
meu grito é mudo
abismos no asfalto
Tentando escapar das garras
do fino fio da navalha
me perco, me acho
Tentei escapar
mas o destino é certo
não devo correr da vida
para me sentir liberto
Pequena.
Ilustração: Celso DS