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a lágrima que sai de dentro
é fria, e não sossega a alma
a lágrima que sai de dentro
não é mágica, talvez
represente, da vida
sua parte trágica
e a tristeza?
a tristeza é um consolo
pra o fim...
e o fim?
ah! o fim eu também não sei o que é
mas sei que tudo aqui dentro dói
sem findar...
Pequena.
cão vadio que rodeia sua tristeza
à procura do que não tem mais cura
jogado no passeio
esperando os ossos como espera o dono
para o passeio
mas que dono?
cães vadios são donos de seus destinos
correndo livres pelas ruas em desatino
cão vadio
À caça da caça
à caça do desafil
Pequena
dos cigarros apagados
as cinza voam leves da tua janela
não sei quem foi
ou quem é ela
mas vida a fora, vida a dentro
o pensamento sangra
de dentro pra fora
de fora pra dentro
agonia, lamento
saudade, tormento
fuja do controle da mente
se entregue ao inexistente
vivendo no inconsciente
rimando um pouco da vida
pra ver se ela para
se ela etagna ou se nela acaba
siga a estrada sem nome,
sem número, sem gente
encontrando a vida na esquina
ou na saia daquela menina
apague os cigarros
sinta a brisa...
Pequena.
...no dia
na noite
o infinito
som do açoite
se libertando
se entregando
nos troncos
ou num copo
sentado no banco
a idéia brota
como as feridas do chicote
a morte... ao léu..a sorte
a vida, a menina
o suor e a mediocridade
da gente fina
cantando, rimando
é assim que vai seguindo
sem rumo
sem prumo
ao vento e sorte do
próprio destino
é o homem da rima
gritando, revolucionando
o que quer que seja
dentro do rodamoinho
suas dúvidas e incertezas...
Pequena.
acordar sem destino e amanhecer
amanhecer sem ter dormido e sonhar
andar em desatino sem pressa ou pesar
correr em desalinho sem respeitar
as linhas, tortas, curvas ou retas
afagar sem pedir nada em troca
andar em círculos, perfazendo as voltas
adormecer, acordar, viver
tudo fazendo e se desfazendo
parte dos ciclos do viver
subir os degraus na escada caracol
caracol dos cabelos teus, subo
por todas as voltas, afago tudo a sua volta
volto a viver um pouco, mais de você em mim
nós dois, transtornados e loucos
treslocados e torpes, do sereno
da alegria, das margaridas, todas as flores
no céu, na nuvenzinha carregada, no som
do seu violão, tua voz macia na minha nuca
como aquele dia em que nos amamos no chão
acordamos sem destino no imenso desatino
que é viver, amar e morrer.
Pequena.