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acordar sem destino e amanhecer
amanhecer sem ter dormido e sonhar
andar em desatino sem pressa ou pesar
correr em desalinho sem respeitar
as linhas, tortas, curvas ou retas
afagar sem pedir nada em troca
andar em círculos, perfazendo as voltas
adormecer, acordar, viver
tudo fazendo e se desfazendo
parte dos ciclos do viver
subir os degraus na escada caracol
caracol dos cabelos teus, subo
por todas as voltas, afago tudo a sua volta
volto a viver um pouco, mais de você em mim
nós dois, transtornados e loucos
treslocados e torpes, do sereno
da alegria, das margaridas, todas as flores
no céu, na nuvenzinha carregada, no som
do seu violão, tua voz macia na minha nuca
como aquele dia em que nos amamos no chão
acordamos sem destino no imenso desatino
que é viver, amar e morrer.
Pequena.