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na verticalidade da cidade
os córregos correm em minhas veias
as calçadas sujas, como
meus pensamentos, transbordando
quando a chuva é demasiada
quando a cabeça cansa de tudo
o lodo, a fumaça, o entulho
na verticalidade da cidade
brancos, negros, mulatos, pardos
indíos, tudo mesclado
enlouquecem calmamente
tiram a consciência, o inconsciente.
toma conta da paciência que
desatina em escorrer pelos esgotos
e nas passarelas fétidas de idéias
na verticalidade da cidade
da ex-comunicação, onde a fala
se torna escarro, escárnio
do cotidiano
tudo fede mais uma vez
os pobres, adornos da cidade
paisagem...
na verticalidade da cidade
as pessoas são os bichos
e os bichos longe
não podem se comparar com as pessoas
que não se entregam, negam
a contemplação do amor, reagem
com vingança, ódio, stress e dor
na verticalidade da cidade
meu pulmão grita sem parar
a cada dia meu dia é cinza
é estranho, agitado, imensidão da agonia
na verticalidade morro aos poucos
na verticalidade são todos loucos
na horizontal, pensamentos de todos
na verticalidade da cidade
não vejo a saída, é um labirinto
de doenças, dinheiro de plástico
ser inumano do cotidiano
na verticalidade da cidade
Pequena.