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meus dias
passando como um fio de navalha
cortando pensamentos bons e maus
cortando minha pele quando lembra da tua
cortando meu coração quando sente sua falta
meus dias
passando como um menino em fuga
correndo pra ver a caravana passar
correndo pra ver se a vida muda
e muda, no silêncio pra ver se a vida pára
meus dias
passando como as fome dos meninos
faminto pra ver a dor se esvair
faminto pra ver o sol todo dia
aflito, pra ver o fim do carnaval
meus dias
refletindo a cor de teus cabelos
refletindo a dor que destina em doer mais
refletindo a condição inumana de todos nós
meus dias
calados pela violência das palavras
inertes pela violência dos movimentos
sinestésico pela violência dos sentidos
ausente pela violência da presença
úmido pela violência da seca
meus dias
pelo vento passando
pelo sol queimando
teu corpo
pela seca, secando
teu rosto
pela presença em mim
teu corpo
Pequena.
das estrelas vejo a terra ao longe...
nenhum lugar para se segurar
nenhum lugar para se plantar sonhos
nenhum lugar para se colher sinceridades
da terra vejo as estrelas ao longe...
nenhuma galáxia para mergulhar
nenhum planeta para guardar meus segredos
ninguém pra seguir comigo
dividir minhas alegrias
acabar com o medo
quero um planeta só meu
uma estrela que possa brilhar a noite
quando minha alegria adormece
quero um instante só meu
pra adormecer tristezas
quando meu dia amanhece
quero um cometa só meu
pra me levar vida a fora
cativar amigos
e nunca mais ir embora
quero um mundo só meu
onde existam apenas
as estrelas
os sonhos
as galáxias
mais ninguém
e nem eu
Pequena.