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a poesia foi vendida
a arte acabou
tudo se vendeu
tudo foi rendido
tudo se perdeu
a arte que invadia
minhas tardes, manhãs
e noites frias...
a poesia
que alimentava minha alma
consumia minhas alegrias
tudo foi vendido
o sistema proliferou
o seu pecado
o seu não-sentido
tudo foi vendido
o pouco da verdade
o concreto da cidade
me perdi...
acabaram comigo
comeram minha identidade
mais uma vez tudo foi vendido
o poema que eu escrevo
a arte que fiz pelo avesso
devo tudo ao “Deus-dinheiro”
a falsidade que entendi
o teatro dos meus dias
o mundo, a gravata, a fantasia
tudo foi vendido
pelo menos foi por dinheiro
a máquina que move a vida.
p.s: poema dedicado ao meu amigo Edu.
Pequena.
Com saudades do ser
confundem-se amor
liberdade, libertinagem
com saudades do ser
confundem-se os corpos
amor no mesmo copo
com saudades do ser
confundem-se meu ser
teu corpo meu, meu corpo no teu
com saudades do ser
confundem-se a magia
a falta de espaço
a miséria e a alegria
com saudades do ser
confundem-se o mar
as estrelas
devoram-se os corpos
cospem as tristezas
com saudades do ser
a luz cega
o farol anuncia
o fim da tristeza
a volta de essência
a falta e a ausência
com saudades do ser
meu ser não é mais
com saudades do ser
meu corpo e o teu
um caminho de paz
Pequena.