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Sangrou seus pensamentos através da amanhã
sozinho, riu, chorou, amou e esqueceu
junto, riu, chorou, amou e foi esquecido
o corpo preso pelos espinhos do caminho
lembrou-se de esquecer o amor
lembrou-se de esquecer as vidas todas
esqueceu de lembrar-se de si mesmo
sangrou seus pensamentos através da tarde
sozinho, morreu um pouco,
olhou-se triste sem piedade
morreu mais...sem saudade
sangrou seus pensamentos através da noite
amassou o passado, rasgou as feridas
tinha amado demais, o mundo e as meninas
seus poros rasgaram-se mais
sua boca dizendo as palavras mesmas
pensamentos decepados de medo
tornou a morrer, na demasia da noite
resolveu morrer completo
morrer em segredo
Pequena
Frágeis máquinas de amar
enferrujadas por seu egoísmo
quebradas e de corações partidos
frágeis máquinas de amar
fuligens de dor
flores de plástico
plásticos de amor
amar requer entrega
requer paciência, espera
frágeis máquinas de amar
por dores do amar, se quebra
soldas corroídas
frágeis máquinas de amar
também tem suas feridas
frágeis máquinas de amar
não podem sentir o amor
também não podem sentir o mar
deixaram o coração na gaveta
frágeis máquinas de amar
a indiferença come seus dias
consome seu combustível
sem nunca ter sentido alegria
frágeis máquinas de amar
sera que o mundo vai consumir vocês
e reciclar seus corpos
e deixar os sentimentos invadir
seus poros?
Pequena
O som acabou
e o amor é incomum
a dor acabou
e o amor agora é um
a alegria chegou
o menino ama
a menina observa o amor
sobre a grama
um olhar de inocência
misto de essência
dois corações pulsando
da vida à pedidos
na cor do cabelo teu
no calor do beijo meu
eu você, você eu
vou colhendo seus verbos
colhendo sua saliva
colhendo teus insamentos
colhendo tuas brisas
daqui da minha janela
vocês não sabem quem eu sou
escrevo apenas, por muito,
ou por falta de amor
minha felicidade é observar
as tranformações do amor
observar a vida alheia e suas saudades
através do tempo, idade...
através do amor, verdade...
Pequena

Neste inverno as águas congelam
até os pensamentos
olho para meu “corpo”
estas ferrugens todas
estas fuligens soltas
nenhum movimento pelas águas
estagnadas do oceano
desde o dia em que vim parar aqui
a maré cessou , não vira mais
acho que a terra parou e não me avisaram
aliás, as notícias não correm mais por estes lados
o coração de barco definitivamente
parou de bater para o mundo
parou de bater pelos meninos
parou de bater pelos cinco sentidos
soube que houvera aumento do volume de água
eu sei, são lágrimas minhas que às vezes teimam
em correr junto com as tempestades aqui no mar
que seguem os cardumes de dourados
pudera eu ter cor novamente
poder levar alegria de ventos e brisas
ter um novo coração
seguir as paisagens, seguir a vida.
Pequena.
no meio do caos
perdi o pouco do amor
achei tudo, dor
no meio do caos
meio interior clamava
por um pouco de movimento
os astros, as estrelas, as flores
as veredas
no meio do caos
a estrela dançarina morreu
no meio do caos
a menina se perdeu
se perdeu de tanto querer
se perdeu de tanto sofrer
no meio do caos
vi explosões de novas estrelas
vi o buraco negro se formando no peito
no meio do caos
não posso ver mais nada
cansaço, neblina, falta de espaço
sufocada pela vontade de não ser
pela vontade de estar em meio as cores
pela vontade de estar em meio as flores
no meio do caos
jogaram flores
jogaram estrelas
jogaram amor
jogaram o carnaval
pra mim a estória acabou.
Pequena