vou te falar qual é o teu dfeito
feito faca cega
chega e não avisa
feito cobra cega meio sem jeito
seu dfeito é colateral
idéias inteiras
às vezes metade
às vezes inteira
qual tua identidade
por entre os lixos
por entre as cidades
mais uma vez digo qual é teu dfeito
mesmo assim sem jeito
repito
às vezes parece com algum sujeito
homem..
veneno insano
às vezes pelas retas
traçando um plano
mas o defeito é colateral
veneno nas veias
ou coisa mais banal
escrevo já faz um tempo
e agora nesse momento não paro
as letras me consomem
feito menina
feito homem
feito tudo
pelo direito e pelo avesso
às vezes no teu espaço
apresento meu defeito
aí está escrita longa
e nada perfeito
Pequena.
a denuncia da vivência
denunciando
o que há por trás da alma...
sua essência
sublime é o ato
do amor com inocência
denuncio o corpo maldito
daqueles que tem medo do vício
denuncio o cio da raça de ventredoente
da mente sem miséria
da alma muitas vezes ausente
denunciando a vida
que segue caótica na própria rotina
o ciclo da terra
o cio entrevado por entre as pernas
denuncio o amor
o corpo em chama de pecados
abrindo a consciência
para índios pretos e pardos
Pequena.
quando você está ausente
meu coração dói
quando você está ausente
minha cabeça não pára
imagino, tentando sentir
o que você sente
quando você está ausente
quero saber dos seus dias
das suas angústias
das suas alegrias
quando você está ausente
me lembro de cada parte do seu corpo
do riso largo que sempre leva em teu rosto
da paz que me dá sempre
mesmo quando te sinto ausente
quando você está ausente
fico à tua espera
fico numa constante
estadia na janela
quando você está ausente
conto os pássaros e as estrelas
pra ver se o dia passa
e leva minha tristeza
quando você está ausente
estás presente por todas
as partes de mim
estás fora, e acima de tudo
dentro
Pequena.
o homem-vazo
o homem no vazo
vazio, incide no corpo
incide no copo
pensamento, homem-vazo
à espera da flor
a flor.. vazia de cor
por estes dias tem esquecido da dor
a flor e o vazo
a flor e o vazio
no vazo do homem
a flor não se despiu
tentou despir ao vazo
o pensamento
tentou despir ao homem
seus sentimentos
o vazo emudeceu
a flor calada, ensurdeceu
estampidos que não queria ouvir
não queria ver o vazo morrer
não queria ver a alma do homem
se enchendo de vazio
se perdendo fio a fio
observava a dor
que entrava por seus poros
sem piedade, entupindo
seus modos
a flor não quer ver
o fim...
homem-vazo-vazio
Pequena.
Pequena menina,
escreve e me nina
Palavras grandes, palavras doces
Versos livres, dois amores.
Pouso o lápis sobre o mel
Pouso os olhos na menina...
Deixo o coração falar;
Escorre da boca, adoça o papel...
Cada letra solta,
uma pétala de flor...
Cada passarinho á sua volta,
um beijo e um novo amor.
Voa voa beija-flor,
Beija a flor devagarinho,
Beija Pequena com carinho,
Me traz um pouquinho de mel, um pouquinho do céu...
(by Lia)